Este é um artigo reescrito a partir de uma postagem que fiz há uns bons anos. Lá naquela época eu citava outros sites que eu gostava de visitar, mas para mim perderam muito a importância e achei por bem não mais escrever sobre eles aqui. O que farei é apenas falar sobre a questão da concordância na redação do Enem. Ela pode ser muito interessante se você souber como usar a seu favor.
Certamente deixei de falar de alguém aqui, mas não vou me alongar não.
Quando escrevi o artigo outros artigos no Segredos da Redação, falei sobre um dos erros mais comuns que é o mau uso do verbo “fazer”. No post de hoje, usei um outro exemplo de concordância que traz certa dificuldade para a maioria dos falantes.
“Educadora como eu, é muito legal alguém que reconhece a importância e divulga meu blog para os próprios alunos vir até aqui e deixar seus comentários”
Sabemos que a relação entre um substantivo (ou um pronome ou numeral substantivo) e as palavras que a ele se ligam para caracterizá-lo (artigos, adjetivos, pronomes adjetivos, numerais adjetivos) recebe o nome de concordância nominal. Sempre lembro meus alunos que para estudar como essa relação se estabelece, é necessário lembrar que adjetivos e palavras de valor adjetivo podem atuar como adjuntos adnominais ou predicativos dos substantivos a que se referem. Na sequência deste post quero falar sobre a palavra que grifei no exemplo acima e de outras que se comportam da mesma forma.
Algumas palavras e construções merecem destaque neste post. São elas:
Próprio, mesmo, anexo, incluso, quite, obrigado
Concordam em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se referem. Exemplos:
Elas próprias disseram: "Nós mesmas fizemos isso".
Seguem anexas as cópias solicitadas.
Seguem inclusos os documentos requeridos.
Não há mais nada a discutir: estamos quites.
O rapaz agradeceu: "Muito obrigado".
Os aposentados disseram ao ministro: "Muito obrigados por tudo!".
Meio, bastante
Podem atuar como adjetivos ou como advérbios. No primeiro caso, referem-se a substantivos e são variáveis. No segundo, referem-se a verbos, adjetivos ou advérbios e são invariáveis. Exemplos:
Pedi meia cerveja e meia porção de batatas fritas.
Meia classe terá de permanecer após o sinal de meio-dia e meia.
Venderam-se muitas meias dúzias de ovos na feira de ontem.
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o que ganham.
Bastantes coisas estão erradas.
As jogadoras estavam meio desgastadas pela competição.
A atleta não foi bem porque estava meio ansiosa.
Andamos meio aborrecidos.
Ainda acreditamos bastante em nós mesmos, apesar de estarmos bastante cansados.
Eles se amam bastante. E são bastante loucos a ponto de casar.
É proibido, é bom, é necessário, é preciso
Quando desacompanhados de determinante (artigos, pronomes e numerais adjetivos), os substantivos podem ser tomados em sentido amplo. Nesse caso, expressões como é proibido, é bom, é necessário, é preciso e similares não variam. Exemplos:
Água é bom para a saúde.
É proibido entrada.
Liberdade é necessário.
É preciso cidadania.
Esta água da serra é muito boa para a saúde.
É proibida a entrada de estranhos.
A liberdade de expressão é necessária.
São precisas algumas medidas de urgência.
