Quais os temas de redação dos vestibulares?

Com a proximidade dos vestibulares, muitas pessoas têm começado a se preocupar um pouco mais com a produção de texto. Uma das coisas que mais se procura são os temas de redação destes vestibulares. Neste post falarei sobre isso e também mostrarei como é que se estrutura um texto dissertativo.



Pesquisando na internet sobre quais assuntos poderiam ser tema de redação dos próximos vestibulares, percebi que são recorrentes alguns. Isso evidencia o caráter prático das discussões propostas. Hoje, usa-se menos os temas subjetivos e explora-se mais os acontecimentos contemporâneos. Do que vi, pensei e discuti, separei os que listarei abaixo:
  • Oriente Médio: o princípio de uma nova era.
  • Em que mundo você quer viver? (Considere os impactos ambientais e o comportamento humano diante do meio ambiente);
  • Os desastres naturais no Brasil: acidentes ou a natureza em resposta ao homem?
  • A ditadura no Brasil. Por que os crimes ainda não foram punidos?
  • Juventude: tempo de mudanças e tempo de mudar.(Quais as perspectivas políticas e sociais da juventude nacional?)
  • Inclusão digital: um direito de todo brasileiro.
  • O trabalho escravo no Brasil: uma realidade intrigante.
Além do tema, outra dúvida comum entre estudantes é a forma como se deve escrever um texto no vestibular. Para isso, creio, vocês podem seguir estes passos:
  • Traçar um roteiro (planejamento do que será escrito) com algumas ideias a ser apresentadas em uma sequência organizada.
  • Relacionar palavras e frases importantes, concernentes ao tema da dissertação, que vão se transformar em parágrafos no desenvolvimento do texto.
  • Definir a tese e fundamentá-la com argumentos que a sustentarão.
  • Apresentar pontos de vista e opiniões diversas que se contrapõem e enfatizar seu ponto de vista ou posicionamento crítico.
  • Verificar se o texto tem as partes principais: introdução, desenvolvimento, conclusão.
  • Concluir retomando o que foi falado no início.
  • Inserir um título sugestivo, se necessário.

Como forma de deixar o artigo ainda mais completo, mostro abaixo o que cada parte dessa modalidade textual deve apresentar. A estrutura-padrão de um texto dissertativo, como vocês já sabem, compreende três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

INTRODUÇÃO 
 
A dissertação deriva de uma determinada tese — tomada de posição diante de um tema (idéia-núcleo do texto) —, que será desenvolvida nos parágrafos seguintes.
Como a tese, em geral, é apresentada logo na introdução e continua a ser trabalhada ao longo do texto, identificá-la ajuda a perceber a coerência do que se está lendo e a não perder de vista o fio condutor.
Na introdução, o autor do texto dissertativo (o argumentador) pode fazer uma pergunta para o leitor, que será respondida no desenvolvimento, ou apresentar um exemplo do assunto a ser analisado.

DESENVOLVIMENTO 
 
Nessa parte, os argumentos necessários para defender e justificar a tese proposta na introdução devem ser inseridos com coerência e coesão. Há uma seleção de aspectos ou detalhes particulares que ampliam e explicam a idéia-núcleo do texto de forma ordenada. 
 
Geralmente, utiliza-se um parágrafo para cada argumento. No entanto, essa não é uma regra obrigatória. Podem ser desenvolvidos tantos parágrafos quantos forem necessários para que a tese seja bem apresentada. 
 
Em geral comprova-se o que foi abordado na introdução, incluem-se dados, informações e argumentos para expor o ponto de vista e converge-se para a conclusão.

CONCLUSÃO 
 
Nessa última parte, retoma-se a idéia-núcleo apresentada na introdução e desenvolvida no texto. Recapitulam-se as ideias do desenvolvimento, dando alinhamento aos argumentos expostos no decorrer do texto. A conclusão de uma dissertação pode ser uma síntese das ideias presentes no desenvolvimento ou apresentar uma nova solução para o problema propostos, podendo até mesmo surpreender o leitor com algo inusitado.

Hagar e a concordância nominal

Uma dúvida comum que os alunos sempre expressam em minhas aulas sobre concordância nominal é sobre o uso de palavras como bastante, meio, anexo, cujo e, principalmente, obrigado. Não há tanta dificuldade nesse aspecto. Todas as palavras que citei anteriormente são variáveis, exceto quando são advérbios. Falei disso no post  Casos especiais de concordância e os comentários. Recomendo a leitura desse post. Aqui, hoje, falarei sobre o uso da palavra OBRIGADO. Para isso, veja a tirinha abaixo:

hagar

Vocês viram a fala de Hagar, no último quadrinho da tira acima? O particípio obrigado, na fala de Hagar, aparece no masculino. Isso acontece porque o referente desse termo é o próprio viking, que se afirma "obrigado" a alguém. No caso, é como se ele se afirmasse "obrigado" aos donos do castelo que acabou de saquear. Trata-se de um comportamento inesperado, porque é como se ele ficasse agradecido por ter tido a oportunidade de roubá-los.

Saiba mais sobre a redação do Enem também aqui
 
Para compreender por que o particípio obrigado deve sempre concordar com quem agradece, precisamos lembrar que a expressão muito obrigado(a) deve ser entendida como "eu estou muito obrigado(a) a você" (isto é, algo que você fez em meu favor, ou algo que me deu de presente, me deixa com alguma obrigação em relação a você).

P.s.: Na expressão muito obrigado, o particípio obrigado é usado com valor adjetivo e, por isso, deve concordar em gênero e número com o gênero da pessoa que fala. Portanto, se o agradecimento parte de uma mulher, a expressão deve assumir a forma feminina; se parte de um homem, deve assumir a forma masculina.

Casos especiais de concordância

Este é um artigo reescrito a partir de uma postagem que fiz há uns bons anos. Lá naquela época eu citava outros sites que eu gostava de visitar, mas para mim perderam muito a importância e achei por bem não mais escrever sobre eles aqui. O que farei é apenas falar sobre a questão da concordância na redação do Enem. Ela pode ser muito interessante se você souber como usar a seu favor.


Certamente deixei de falar de alguém aqui, mas não vou me alongar não.

Quando escrevi o artigo outros artigos no Segredos da Redação, falei sobre um dos erros mais comuns que é o mau uso do verbo “fazer”. No post de hoje, usei um outro exemplo de concordância que traz certa dificuldade para a maioria dos falantes.
“Educadora como eu, é muito legal alguém que reconhece a importância e divulga meu blog para os próprios alunos vir até aqui e deixar seus comentários”
Sabemos que a relação entre um substantivo (ou um pronome ou numeral substantivo) e as palavras que a ele se ligam para caracterizá-lo (artigos, adjetivos, pronomes adjetivos, numerais adjetivos) recebe o nome de concordância nominal. Sempre lembro meus alunos que para estudar como essa relação se estabelece, é necessário lembrar que adjetivos e palavras de valor adjetivo podem atuar como adjuntos adnominais ou predicativos dos substantivos a que se referem. Na sequência deste post quero falar sobre a palavra que grifei no exemplo acima e de outras que se comportam da mesma forma.


Algumas palavras e construções merecem destaque neste post. São elas:

Próprio, mesmo, anexo, incluso, quite, obrigado

Concordam em gênero e número com o substantivo ou pronome a que se referem. Exemplos:

Elas próprias disseram: "Nós mesmas fizemos isso".

Seguem anexas as cópias solicitadas.

Seguem inclusos os documentos requeridos.

Não há mais nada a discutir: estamos quites.

O rapaz agradeceu: "Muito obrigado".

Os aposentados disseram ao ministro: "Muito obrigados por tudo!".

Meio, bastante

Podem atuar como adjetivos ou como advérbios. No primeiro caso, referem-se a substantivos e são variáveis. No segundo, referem-se a verbos, adjetivos ou advérbios e são invariáveis. Exemplos:

Pedi meia cerveja e meia porção de batatas fritas.

Meia classe terá de permanecer após o sinal de meio-dia e meia.

Venderam-se muitas meias dúzias de ovos na feira de ontem.

bastantes pessoas insatisfeitas com o que ganham.

Bastantes coisas estão erradas.

As jogadoras estavam meio desgastadas pela competição.

A atleta não foi bem porque estava meio ansiosa.

Andamos meio aborrecidos.

Ainda acreditamos bastante em nós mesmos, apesar de estarmos bastante cansados.

Eles se amam bastante. E são bastante loucos a ponto de casar.

É proibido, é bom, é necessário, é preciso

Quando desacompanhados de determinante (artigos, pronomes e numerais adjetivos), os substantivos podem ser tomados em sentido amplo. Nesse caso, expressões como é proibido, é bom, é necessário, é preciso e similares não variam. Exemplos:

Água é bom para a saúde.

É proibido entrada.

Liberdade é necessário.

É preciso cidadania.

Esta água da serra é muito boa para a saúde.

É proibida a entrada de estranhos.

A liberdade de expressão é necessária.

São precisas algumas medidas de urgência.

Exercícios de Literatura para o Enem

Neste artigo você verá alguns exercícios sobre o romance memórias de Um sargento de Milícias e eles podem te ajudar na prova do Enem e a fazer melhor as questões de linguagens. Isso porque vai apurar seus sentidos para o uso correto da linguagem literária e, consequentemente, você será mais rápido. Uma das vantagens de ser mais rápido é poder sobrar mais tempo para fazer a redação dissertativa do Enem e poder passar a limpo com uma letra mais bonita.

Exercícios de Literatura para o Enem


1. Identifique a afirmação correta sobre José de Alencar.

a) Seus três romances indianistas fazem parte do projeto maior: retratar aspectos típicos da realidade e dos mitos nacionais.
b) Com Memórias de um sargento de milícias, deu-nos um colorido painel da sociedade carioca ao tempo de D. João VI.
c) Embora tenha escrito belos poemas líricos, foi pela poesia abolicionista que se notabilizou como escritor.
d) Deve ser considerado o pioneiro do Naturalismo no Brasil, com obras-primas no conto, no romance e na novela.
e) Seus romances têm a marca inconfundível da prosa intimista, em que tudo se resume às memórias e pensamentos subjetivos.



2. O romance é um gênero literário que veio a se desenvolver no século (........) retratando sobretudo (.......); era muito comum publicar-se em partes, nos jornais, na forma de (.......).Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, pela ordem:

a) XVII - a alta aristocracia – conto              
b) XVIII - o mundo burguês - folhetim
c) XVIII - o mundo burguês – crônica          
d) XIX - o mundo burguês – folhetim             
e) XIX - a alta aristocracia crônica

3. Em relação à obra de Manuel Antônio de Almeida - MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS - pode-se afirmar que:

a) é uma autobiografia que relata, na primeira parte, as diabruras infantis do romancista e, na segunda, suas façanhas de adolescente.
b) é um texto biográfico que se concentra nas proezas, especialmente amorosas, do protagonista, e também relata, com rigor histórico, os acontecimentos do Segundo Reinado.
c) é um texto baseado em memórias alheias sobre as quais o narrador exercita a sua imaginação, sem deixar de relatar cenas e costumes da realidade do Segundo Reinado.
d) é uma biografia romântico-idealista, que relata as memórias sentimentais de um sargento de milícias, vivenciadas nas camadas baixas do Rio de Janeiro.
e) é uma autobiografia que relata as memórias do protagonista sem ocultar os defeitos de seu caráter e os costumes do grupo social da época do rei D. João VI.

4. No trecho, "Se Leonardo se afligira do modo que acabamos de ver pelo contratempo que lhe sobreviera com o aparecimento e com as disposições de José Manuel, o padrinho não se incomodava menos com isso..." a última oração funciona como um argumento em relação à primeira. Esse argumento indica:

a) causa em relação à primeira oração, apresentando uma hipótese diante da idéia proposta.
b) condição em relação à primeira oração, apresentando uma hipótese diante da idéia proposta.
c) fim em relação à primeira oração, mostrando a finalidade da idéia proposta.
d) oposição em relação à primeira oração, invertendo a idéia proposta.
e) acréscimo em relação à primeira oração, reforçando a idéia proposta.

5. Indique a alternativa que se refere corretamente ao protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

a) Ele é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir, até sua transformação final em símbolo sublimado. Resposta e
b) Enquanto cínico, calcula friamente o carreirismo matrimonial; mas o sujeito moral sempre emerge, condenando o próprio cinismo ao inferno da culpa, do remorso e da expiação.
c) A personalidade assumida de sátiro é a máscara de seu fundo lírico, genuinamente puro, a ilustrar a tese da "bondade natural", adotada pelo autor.
d) Este herói de folhetim se dá a conhecer, sobretudo nos diálogos, nos quais revela ao mesmo tempo a malícia aprendida nas ruas e o idealismo romântico que busca ocultar.
e) Nele, como também em personagens menores, há o contínuo e divertido esforço de driblar o acaso das condições adversas e a avidez de gozar os intervalos da boa sorte.

Texto para as questões 06 e 07 

"A língua é a nacionalidade do pensamento como a pátria é a nacionalidade do povo. Da mesma forma que instituições justas e racionais revelam um povo grande e livre, uma língua pura, nobre e rica, anuncia a raça inteligente e ilustrada. Não é obrigando-a a estacionar que hão de manter e polir as qualidades que porventura ornem uma língua qualquer; mas sim fazendo que acompanhe o progresso das idéias e se molde às novas tendências do espírito, sem contudo perverter a sua índole a abastardar-se." (José de Alencar)

06. Sobre o texto anterior, trecho de abertura de um romance de José de Alencar, são feitas as afirmativas seguintes.

I - O autor usa de um artifício para disfarçar o caráter ficcional da narrativa e, ao mesmo tempo, estreitar os laços da interlocução com o leitor: cria um personagem-narrador e uma personagem-leitora, esta com a função de propiciar ao narrador a oportunidade de contar a sua história.
lI - Pela referência a criaturas infelizes que escandalizam a sociedade, à profanação da atmosfera em que está envolta a neta da personagem à qual se dirige o narrador, bem como pela cautela do narrador em abordar assunto que causa melindres, pode-se inferir que se trata da abertura do romance "Lucíola".

III - De acordo com o terceiro parágrafo, a personagem-leitora não se deve preocupar caso leia algo que ofenda seu pudor, pois diante do texto escrito não são vexatórias, para a mulher, atitudes que seriam motivo de vergonha na presença de um homem. 
Quais são corretas?

a) Apenas I     
b) Apenas II   
c) Apenas I e III    
d) Apenas lI e III   
e) I, II e III

07. Além do romance de que foi retirado o texto, José de Alencar escreveu:

a) "Inocência", cuja ação se passa no sertão, onde mora Pereira, que divide as mulheres entre prostitutas e "famílias", estas as filhas e esposas mantidas isoladas em casa, pois, se vissem homem que não o pai ou marido, fatalmente se igualariam às prostitutas devido a sua condição de fêmeas, por definição depravadas.
b) "O seminarista", romance passional que discute a instituição do celibato clerical: o Padre Eugênio, retornando à cidade natal, sente reacender-se uma antiga paixão; apesar de tentar resistir, acaba por cair em tentação, e a quebra do voto de castidade o leva à loucura.
c) "A moreninha", narrativa de intriga simples e temática mundana, em que os sentimentos e motivações jamais adquirem profundidades impróprias para a conversação em sociedade na presença de mocinhas e senhoras respeitáveis.
d) "Ubirajara", um de seus romances voltados para a recriação do passado do Brasil, narrando os feitos heróicos de um índio capaz de permanecer impassível enquanto formigas saúvas lhe devoram a mão, numa das provas a que se submete para fazer jus à mão de sua pretendida.
e) "Memórias de um sargento de milícias", que apresenta o quotidiano da "arraia-miúda" do Rio de Janeiro, composta de personagens permanentemente em luta pela satisfação das necessidades humanas mais elementares e sempre ávidos de gozar os momentos de sorte  favorável.

08. Considere as seguintes afirmações sobre a obra de José de Alencar.

I - Em IRACEMA, narram-se as aventuras e desventuras de Martim Francisco, português, e Iracema, a indígena dos lábios de mel, casal que simboliza a união dos dois povos nas matas brasileiras inexploradas.
II - Em SENHORA, Aurélia herda uma fortuna que a salva da pobreza e lhe permite comprar um marido, Seixas, de quem já fora namorada e com quem manterá um casamento perturbado por conflitos e acusações mútuas.
III - Em O GUARANI, as aventuras de Peri, bravo guerreiro indígena, são norteadas pela necessidade de servir e proteger a jovem virgem loira Ceci, cuja integridade física é ameaçada por malfeitores e indígenas perigosos.
Quais estão corretas?

a) Apenas I          
b) Apenas III         
c) Apenas I e II              
d) Apenas II e III          
e) I, II e III

09. Assinale a opção correta com relação à obra "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida:

a) O livro trata da história de um amor impossível passada no século XIX.
b) A história é contada numa linguagem popular da mesma maneira como foram escritas outras obras da época.
c) O livro trata das peripécias do protagonista, personagem cômico, pobre e sem nobreza de caráter.
d) A história se passa num ambiente rural, tal como a história de O SERTANEJO, de José de Alencar.
e) A história é contada numa linguagem que segue os padrões clássicos da época.

10.  Manuel Antônio de Almeida, "Memórias de um sargento de milícias": Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitota. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes, e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.


( Glossário: algibebe: mascate, vendedor ambulante.  saloia: aldeã das imediações de Lisboa. maganão: brincalhão, jovial, divertido.)

Neste excerto, o modo pelo qual é relatado o início do relacionamento entre Leonardo e Maria:
a) manifesta os sentimentos antilusitanos do autor, que enfatiza a grosseria dos portugueses em oposição ao refinamento dos brasileiros.
b) revela os preconceitos sociais do autor, que retrata de maneira cômica as classes populares, mas de maneira respeitosa a aristocracia e o clero.
c) reduz as relações amorosas a seus aspectos sexuais e fisiológicos, conforme os ditames do Naturalismo.
d) opõe-se ao tratamento idealizante e sentimental das relações amorosas, dominante no Romantismo.
e) evidencia a brutalidade das relações inter-raciais, própria do contexto colonial-escravista.

Exercícios sobre o livro Macunaíma

Estas são algumas questões sobre um livro muito importante para a nossa literatura e que sempre é usado em provas de vestibular. Você já deve ter ouvido falar sobre o livro Macunaíma. Nele você pode entender um pouco mais sobre a formação da nossa cultura e também se preparar para a prova do Enem. Fique bastante atento porque o Enem está chegando e você precisa estar preparado para a prova e também para fazer a redação dissertativa que é um diferencial para quem deseja passar na prova e conseguir uma vaga na faculdade.

Exercícios sobre livro Macunaíma


1) Leia o trecho de Macunaíma e as afirmações que se fazem. Em seguida, assinale a alternativa verdadeira.

"Jiguê teve raiva porque peixe andava rareando e caça inda mais. Foi na praia do rio pra ver si escava alguma coisa e topou com o feiticeiro Tzaló que tem uma perna só. O catimbozeiro possuía uma cabaça encantada feita com a metade duma casca de jerimum. Mergulhou a cabaça no rio, encheu de água até o meio e despejou na praia. Caiu um despropósito de peixe. Jiguê reparou bem como que o feiticeiro fazia. Tzaló largou da cabaça por aí e principiou matando peixe com um porrete. Então Jiguê roubou a cabaça do feiticeiro Tzaló que tem uma perna só.
Mais pra adiante fez que-nem tinha reparado e veio muito peixe, veio pirandira veio pacu veio ascudo veio bagre veio jundiá tucunaré, todos esses peixes e Jiguê voltou carregado pra tapera depois de esconder a cabaça na raiz do cipó. Todos ficaram sarapantados com aquele mundo de peixe e Comeram bem. Macunaíma desconfiou. No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que Jiguê fosse pescar, saiu atrás. Descobriu tudo. Quando o mano foi-se embora Macunaíma largou da gaiola de legornes no chão pegou na cabaça escondida e fez que-nem o mano. Isso vieram muitos peixes, veio acará veio piracanjuba veio aviú guarijuba, piramutaba mandi surubim, todos esses peixes. Macunaíma atirou a cabaça por aí, na pressa de matar todos os peixes, cabaça caiu numa lapa e Jiguê mergulhou no rio."




I. A perspectiva primitiva, que aceita a intervenção de forças ocultas e a manifestação de poderes mágicos, é apresentada no trecho e na obra como algo inverossímil e o narrador põe em dúvida a veracidade dos acontecimentos, ao exagerá-los.
II. A traição e a astúcia não é uma característica exclusiva de Macunaíma, mas o trecho revela que o herói sem nenhum caráter é ao mesmo tempo engenhoso, esperto e inconseqüente, irresponsável.
III. As enumerações que o trecho apresenta são um recurso freqüentemente empregado na obra e tem sempre a finalidade de apresentar a fartura da cultura e da natureza brasileiras.
IV. As histórias formadas por episódios que se repetem de modo muito parecido, os nomes de peixes e divindades, a apresentação repetida do epíteto em forma de rima (i.Tzalóque tem uma perna sóln) são resultado das pesquisas folclóricas do autor, que compôs uma obra em que se cruzam referências à cultura popular, à linguagem regional, às formas de falar e de narrar de extratos mais incultos da
população.
a) Todas as afirmações estão corretas. b. c. d. e.
b) Somente as afirmações I, II e III são corretas.
c) Somente as afirmações II e IV são corretas.
d) Somente as afirmações II, III e IV são corretas.
e) Somente as afirmações I e IV são corretas.

2) (Fuvest/adaptada) As personagens  de Memórias de Um sargento de Milícias manifestam uma característica que também estará presente na personagem Macunaíma. Essa característica é a
a) disposição permanentemente alegre e bem-humorada.
b) discrepância entre a condição social humilde e a complexidade psicológica.
c) busca da satisfação imediata dos desejos.
d) mistura das raças formadoras da identidade nacional brasileira.
e) oposição entre o físico harmonioso e o comportamento agressivo.

3) (PUC) O título da obra Macunaíma é especificado como anti-herói sem nenhum caráter. A alternativa que não é verdadeira em relação à especificação é:
a) O caráter do herói é ele não ter caráter definido.
b) O protagonista assume várias esferas de ação, daí ser simultaneamente herói e anti-herói.
c) A fragilidade de caráter do protagonista faz com que este perca, no decorrer da obra, sua característica de herói.
d) O herói se configura por suas qualidades paradoxais, ele é ao mesmo tempo: preguiçoso e esperto, irreverente e simpático, valente e covarde.
e) O caráter do herói é contraditório, pois ele se caracteriza como um i.sonso-sabidoló.

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(PUC-SP) Texto para as questões 4 e 5.
" E foi numa boca-da-noite fria que os manos toparam com a cidade macota de São Paulo esparramada à beira-rio do igarapé Tietê. A inteligência do herói estava muito perturbada. Acordou com os berros da bicharia lá embaixo nas ruas, disparando entre as malocas temíveis. Que mundo de bichos!
A inteligência do herói estava muito perturbada. As cunhas rindo tinham ensinado prá ele que o sagüi-açu não era sagüim não, chamava elevador e era uma máquina. De manhãzinha ensinaram que todos aqueles piados berros cuquiadas sopros roncos esturros não eram nada disso não, eram mas cláxons campainhas apitos buzinas e tudo era máquina. As onças pardas não eram onças pardas, se chamavam fordes, hupmobiles chevrolés dodges marrons e eram máquinas. Os tamanduás
os boitatás as inajás de curuatás de fumo, em vez eram caminhões bondes autobondes anúncios-luminosos relógios faróis rádios motocicletas telefones gorjetas postes chaminés...
Eram máquinas e tudo na cidade era só maquiná-la

4) (PUC-SP) Analise a alternativa que apresenta o nome do texto acima e também o nome de outra obra do mesmo autor:
a) Manifesto Pau-Brasil e Memórias Sentimentais de João Miramar.
b) A Vida Passada a Limpo e A Rosa do Povo.
c) Angústia e Caetés.
d) Macunaíma e Amar, Verbo Intransitivo.
e) Ciclo do Cangaço e Fogo Morto .

5) (PUC-SP) Nas duas primeiras linhas, tem-se o contato inicial com a cidade. O modo de apresentá-la, e, principalmente, o uso de expressões como ioboca-da-noitelo, iomacotal- e i.igarapélc revelam que:
a) narrador não é brasileiro.
b) esse texto é do século XIX, daí usar expressões desconhecidas.
c) esse texto foi extraído de um romance indianista.
d) autor não domina o código da língua portuguesa.
e) narrador, assumindo o modo de ver da personagem, usa sua linguagem.

6) (UFPA) O romance Macunaíma finaliza com seu personagem principal
a) transformando-se em estrela.
b) casando-se com Ci, a mãe do mato.
c) cheio de felicidade por ter derrotado Piaimã.
d) lutando e vencendo as mandingas de Capei.
e) recuperando a muiraquitã e partindo para novas aventuras.

TEXTO IV

Às mui queridas súbditas nossas, Senhoras, Amazonas. Trinta de Maio de Mil Novecentos e Vinte e Seis. Senhoras:Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva. Cumpre-nos, entretanto, iniciar estas linhas de saudades e muito amor, com desagradável nova. É bem verdade que na boa cidade de São Paulo Œ a maior do universo, no dizer de seus prolixos habitantes Œ não sois conhecidas por ‚‚icamiabas™™, voz espúria, sinão que pelo apelativo de Amazonas; e de vós, se afirma, cavalgardes ginetes belígeros e virdes da Hélade clássica; e assim sois chamadas. Muito nos pesou a nós, Imperator vosso, tais dislates da erudição porém heis de convir conosco que, assim, ficais mais heróicas e mais conspícuas, tocadas por essa plátina respeitável da tradição e da pureza antiga. (...) Recebei a benção do vosso Imperador e mais saúde e fraternidade. Acatai com respeito e obediência estas mal traçadas linhas; e, principalmente, não vos esqueçais das alvíçaras e das polonesas, de que muito hemos mister. Ci guarde a Vossas Excias. Macunaíma, Imperador.

ANDRADE, Mário de. Macunaíma Œ o herói sem nenhum caráter. 6ª ed., São Paulo: Ed. Martins, 1970.

7) Mário de Andrade, ao inserir em Macunaíma esta ‚Carta prás Icamiabas™™, escrita com erudição e em língua portuguesa elaborada, que destoa do conjunto da obra, teve como
intenção
a) satirizar a língua natural e simples, de característica popular, e valorizar a construção clássica e gramaticalmente correta.
b) denunciar o pedantismo do brasileiro, que é o de escrever português de lei, e criticar a incoerência dos que imitam essa linguagem desusada.
c) valorizar a língua de Camões e contrapor-se ao uso abusivo da linguagem coloquial.
d) alertar as icamiabas sobre os perigos da civilização e denunciar que‚ pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são.
e) ser coerente com o comportamento lingüístico vigente na época que era o de ‚‚ falar numa língua e escrever noutra.

8) A respeito, ainda, da obra Macunaíma, é incorreto afirmar que
a) denominada ‚‚rapsódia por seu autor, apresenta estrutura inovadora no enredo, na caracterização das personagens e no estilo.
b) é a grande obra-prima da literatura brasileira e, apesar de a personagem ser o símbolo do homem brasileiro, a maior parte do livro se passa em São Paulo.
c) caracteriza-se pela presença de lendas indígenas e por estilo de paródia, linguagem falada, provérbios e superstições populares.
d) sugere clima mágico em que todo herói, ao morrer, vira estrela no céu, exceção feita a Macunaíma que, mutilado pela Uiara, veio ao mundo para ser pedra.
e) configura a história de um herói popular que não tem preconceitos, não se cinge à moral de uma época e concentra em si próprio as contradições do homem brasileiro.

9) (UFU-MG) Leia as afirmativas seguintes sobre a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, e assinale a alternativa INCORRETA.
a) Sendo uma rapsódia, a obra caracteriza-se pelo acolhimento e assimilação de elementos variados de nossa cultura. Por esse caráter multifacetado, Macunaíma é inviável enquanto representação de nossa identidade.
b) O herói Macunaíma é um tipo criado a partir de contos populares e está ligado a personagens do folclore brasileiro, como Pedro Malazarte. Mais recentemente, pode-se aproximá-lo a João Grilo, da peça Auto da Compadecida.
c) São elementos da obra a mitologia indígena, o folclore nacional, a nossa língua falada, os costumes brasileiros. Os costumes brasileiros, Mário de Andrade retira-os da cidade de São Paulo, onde Macunaíma passa um bom tempo.
d) Há um acentuado procedimento parodístico sustentando a obra. A paródia recai, inclusive, sobre obras da Literatura Brasileira, como Iracema, de José de Alencar, e também sobre a Carta do achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha.

Exercícios de colocação pronominal para o Enem

Há muitas atividades que os alunos podem fazer para conseguir ir bem na prova do Enem. Uma delas é fazer exercícios de gramática para entender as ferramentas que poderão ser usadas na produção de textos. isso mesmo, quando estudamos gramática, acabamos por descobrir os segredos da redação que podem nos ajudar a mandar muito bem nas provas. Veja estes que nos ajudarão a entender a colocação pronominal em provas de vestibular. O gabarito está no próprio exercício.

Exercícios de gramática para o Enem


(ITA-SP) O pronome pessoal oblíquo átono está bem colocado em um só dos períodos. Qual?
a)   Me causava admiração ver aquela turma se de­dicando com tanto afinco aos estudos, enquanto os outros não esforçavam-se nada.
b)   Apesar de contrariarem-se, não farão me mudar de resolução.
c)   Já percebeu que não é este o lugar onde deve-se colocar os livros?
d)  Ninguém falou-nos, outrora, com tanta proprie­dade e delicadeza.
x e) Não se vá tão cedo; custa-lhe ficar mais?
  
(ITA-SP) O pronome pessoal oblíquo átono está bem colocado em um só dos períodos. Qual?
x a)  Isto me não diz respeito! respondeu-me ele, afe-tadamente.
b)   Segundo deliberou-se na sessão, espero que to­dos apresentem-se na hora conveniente.
c)   Me entenda! Lhe não disse isso!
d)   Os conselhos que dão-nos os pais, levamo-los em conta mais tarde.
e)   Amanhã contar-lhe-ei por que peripécias conse­gui não envolver-me.

(PUC-RS) Complete convenientemente as la­cunas:
Logo que......,......cientes de que não.......
a)   os vir, os farei, os poderemos contratar
b)   os ver, fá-los-ei, podemo-los contratar
c)   vê-los, fá-los-ei, podemos contratá-los
x d) os vir, fá-los-ei, podemos contratá-los
e)  os ver, far-lhes-ei, poderemos contratá-los

 (CESGRANRIO-RJ) Indique a estrutura que contraria a norma culta:
a)  Ter-me-ão elogiado. \ b) Teria-me lembrado
c)   Tenho-me alegrado.
d)   Tinha-me lembrado.
e)   Temo-nos lembrado.



 (UM-SP) Assinale a alternativa em que o pro­nome pessoal oblíquo poderia ser colocado em duas outras posições:
a)   Deixei de cumprimentá-lo,
x b)  Eles queriam-me enganar.
c)   Não te prejudicarei nunca.
d)   Os amigos tinham-se retirado.
e)   Creio que ele não te dará explicações.

 (UM-SP) Assinale a alternativa que apresenta erro de colocação pronominal:
a)   Você não devia calar-se.
b)   Não lhe darei qualquer informação.
c)   O filho não o entendeu.
x d)  Se apresentar-lhe os pêsames, faça-o discreta­mente,
e) Ninguém quer aconselhá-lo.

| (UM-SP) A colocação do pronome oblíquo está incorreta em:
a)  Para não aborrecê-lo, tive de sair.
x b) Quando sentiu-se em dificuldade, pediu aju­da.
c)   Não me submeterei aos seus caprichos.
d)   Ele me olhou algum tempo comovido.
e)   Não a vi quando entrou.

(FAAP-SP) Assinale a alternativa em que a colocação pronominal desobedece ao que preceitua a gramática:
a)  Há muitas estrelas que nos atraem a atenção.
x b)  Jamais dar-te-ia tantas explicações, se não fos­ses pessoa de tanto merecimento.
c)   A este compete, em se tratando de corpo da Pá­tria, revigorá-lo com o sangue do trabalho.
d)   Não o realizaria, entretanto, se a árvore não se mantivesse verde sob a neve.
e)   Nenhuma das anteriores.

(Santa Casa-SP) É à hora de dormir que as pre­ocupações do dia......,......o sono.
a)   perseguem-no, lhe impedindo
b)   perseguem-lo, impedindo-lhe
c)   perseguem-o, impedindo-lhe
d)   o perseguem, lhe impedindo
x e)   o perseguem, impedindo-lhe